A proposta educacional e
política de Platão apresenta de forma muito evidente que há uma estreita e
necessária relação entre Política, Conhecimento e Educação. Quando sugere o
sentido da Educação como Paidéia (Educação integral – corpo e alma), como um
meio de construção de uma república ideal, sedimentada no Bem, no Justo e no
Belo, ele dá um caráter muito parecido com o que entendemos por educação hoje.
Não são apenas informações ou dados; os conteúdos propostos no senso platônico
de Educação são pressupostos para a formação daquele cidadão que vai dar
sentido e garantia para a cidade. Nela, a justiça deve ser o princípio
fundante. Embora legitimando a escravidão e algumas injustiças de seu tempo,
como a desvalorização das mulheres, dos escravos e das crianças, Platão aponta
uma perspectiva que ainda alimenta a mística da educação como promoção e
qualificação do ser. Ou seja, uma coletividade justa e voltada para o bem nasce
de um processo em que os indivíduos são educados para a construção da justiça,
embora ela nem sempre seja fácil de ser conceituada, fundamentada ou mesmo
justificada pela argumentação. Platão vê, na Justiça, o fundamento pelo qual o
Bem pode se configurar. Para ele o processo educativo não tem sentido se não
tiver um aspecto consciente ou inconsciente de projeção de sujeitos que, embora
envolvidos e fixados numa realidade racional, conceitualmente almejem uma
realidade melhor no sentido ontológico e social. Podemos até não concordar com
o propósito platônico, mas educar sempre vai significar uma transição, uma
transcendência, uma auto-superação ou, pelo menos, a busca disso.
Em Aristóteles, temos uma
compreensão dialética da educação e, ao mesmo tempo, uma espécie de sistemática
de tudo o que foi dito e entendido sobre o assunto na Grécia Antiga e Clássica.
Para ele, não há problema com a política (Platão) ou com o discurso (Sócrates),
desde que esses sejam acompanhados pela ética.
Na Ética fica bem evidente
que o entendimento de Aristóteles aponta para a necessidade de um investimento
em sentimentos e atitudes que sejam alternativos ao caráter tirânico. Somente
uma sociedade livre e democrática é capaz de estimular a amizade e as relações
que tendem para a valorização da pessoa e o respeito por ela. Para o discípulo
de Platão, o conhecimento nasce da experiência dos sentidos. Ele funda, com
isso, o Realismo em contraposição ao Inatismo ou ao Idealismo de Platão. Nele,
a gestão do conhecimento é necessária porque incide na questão do poder
político. Há uma grande confiança no papel dos sentidos captarem, através da
Intuição, a essência das coisas. Essa compreensão realista do conhecimento
parece que resolve o problema da educação, mas possivelmente aqui é que começam
os empecilhos do ensinar e do aprender. A busca da arte de interpretar nos remete
ao sentido do educar, como um exame mais suspensivo sobre a realidade, para
podermos captar a essência.
Nos dois grandes filósofos
clássicos, a compreensão do papel filosófico da educação reside nessa tentativa
de nos remetermos para fora de nós mesmos, sem deixar de ser o que somos, mas
justamente fazendo desse movimento uma construção perene dos conceitos que
orientam e direcionam o nosso agir. Isso vai balizando um novo jeito de ser do
humano no mundo e vai recriando um ambiente em que o coletivo se efetiva pela
qualificação das pessoas. Esse salto só pode ser alcançado pela educação. Nesse
caso, o ensino não é meramente uma transmissão de conceitos ou conteúdos, mas
um treinamento ontológico, uma forma de lapidar os seres para que possam
conviver de forma mais harmônica na sociedade.
A visão de Platão sobre a
educação era baseada na República ideal, na qual o ser humano era mais bem
educado ao ser subordinado a uma sociedade justa. Para ele a criança
deveria ser retirada dos cuidados de sua mãe e ser entregue aos cuidados do
Estado, cada criança deveria receber educação de acordo com a casta que faria
parte.
A
educação deveria ser holística, incluindo fatos, habilidades, disciplinas
físicas, música e arte. Para Platão o talento não era repartido geneticamente e
dessa forma deveria ser encontrado em crianças de qualquer classe social. Essa
forma de pensar fazia com que as crianças consideradas
mais aptas fossem treinadas pelo Estado para que fossem qualificados para
assumir o papel de uma classe dominante.
Platão
dividia a educação da seguinte forma: a educação
elementar que deveria
ser confinada para a classe guardiã até a idade de 18 anos, em seguida teria
dois anos de teinamento militar e
posteriormenteensino superior para
os que estivessem qualificados. O ensino elementar moldava a
alma para responder ao ambiente enquanto o ensino superior ajudava a
alma a procurar a verdade que ilumina.
Aristóteles
pensava que o ser humano poderia se assemelhar aos deuses na busca pelo
conhecimento, ou melhor deveria ser parecido com os deuses pelo menos no
aspecto do saber. O homem deveria investir mais no seu crescimento e aperfeiçoamento
do que ficar invejando os deuses ou investindo em alguma coisa referente a
eles.
Aristóteles
sentia a necessidade de investir em sentimentos e atitudes que
fossem contrários ao carater tirânico. Ele percebia que
para gerir uma instituição, a família ou a si mesmo a pessoas deveriam ter
solidez de caráter, isso se conseguia pelo bom uso da razão e pela
vivência da virtude do equilíbrio.
Os
vários filósofos e pensadores que viveram há séculos contribuíram de forma
marcante na educação atual, pois o estudo da história da educação é
indispensável ao conhecimento da educação contemporânea. O percurso histórico
possibilita encontrar o caminho de uma educação realmente voltada para o
desenvolvimento pleno do homem e sua realização como cidadão. A educação atual
é ao mesmo tempo, reflexo do passado e preparação para o futuro, desta forma, o conhecimento do
passado é chave para entender o futuro.
Fontes: Filosofia da Educação (JARDIM, BORGES & FREITAS at al, 2011)
